Flávio vence nos 13 municípios da Baixada, mas Lula reduz distância em 158 mil votos, aponta estudo
Pesquisa de Rômulo Vieira analisa os dois turnos da eleição presidencial de 2026 e revela diferenças que ajudam a compreender a disputa política na região.
Flávio Bolsonaro (PL) terminou a eleição presidencial de 2026 à frente em todos os 13 municípios da Baixada Fluminense. A liderança regional, entretanto, veio acompanhada de uma redução expressiva da vantagem sobre Lula (PT). Segundo levantamento elaborado por Rômulo Vieira, com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a distância entre os candidatos caiu de 453.523 votos, no primeiro turno, para 295.501 no segundo: uma diminuição de 158.022 votos, equivalente a 34,84%.
O estudo reúne os resultados de Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaguaí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São João de Meriti e Seropédica. A comparação permite observar tanto a força eleitoral de Flávio quanto a capacidade de crescimento de Lula entre as duas etapas da votação.
No segundo turno, Flávio somou 1.238.754 votos, correspondentes a 56,77% dos válidos na região. Lula alcançou 943.253, ou 43,23%. Ambos aumentaram suas votações, mas em ritmos distintos: o candidato do PL acrescentou 24.739 votos ao resultado inicial, enquanto o petista conquistou 182.761 votos adicionais.

Essa diferença é fundamental para interpretar os números. Flávio ampliou sua votação absoluta, embora sua participação nos votos válidos tenha recuado de 57,28% para 56,77%. Lula passou de 35,88% para 43,23%, um avanço de 7,35 pontos percentuais.

Os maiores aumentos da votação de Lula ocorreram em Duque de Caxias, com 44.705 votos adicionais; Nova Iguaçu, com 39.095; São João de Meriti, com 22.973; e Belford Roxo, com 22.865. Juntos, esses quatro municípios concentraram aproximadamente 71% do crescimento registrado pelo petista na Baixada.

Japeri oferece outro retrato dessa mudança. Enquanto Flávio acrescentou 55 votos entre os turnos, Lula ganhou 4.312. A diferença local caiu de 8.623 para 4.366 votos, praticamente pela metade. O candidato do PL manteve a liderança, mas enfrentou uma disputa consideravelmente mais apertada.

O levantamento também registra maior comparecimento no segundo turno. As abstenções diminuíram de 576.615 para 552.598, uma redução de 24.017. Os votos em branco passaram de 50.530 para 26.701, e os nulos, de 68.607 para 53.952. Esses movimentos ajudam a dimensionar a mudança na votação, mas não permitem identificar, individualmente, de onde vieram os votos adicionais de cada candidato.
Na interpretação de Vieira, compreender o resultado exige observar as relações políticas construídas no território. O autor destaca a presença de partidos de direita e centro-direita nas administrações municipais, as alianças entre lideranças locais e a relevância das redes religiosas. São elementos de contexto, sem que o levantamento estabeleça quanto cada um deles influenciou o voto.
A pesquisa também chama atenção para a atuação de estudantes, movimentos populares, sindicatos e agentes culturais em apoio a Lula. Entre as iniciativas citadas está a articulação do Gomeia Galpão Criativo, em Duque de Caxias, na mobilização “Rodas da Democracia – Capoeira com Lula”, que aproximou manifestações da cultura popular e participação política. (bravabaixada.com.br)
O próprio autor ressalta, porém, que os resultados não demonstram uma relação direta de causa e efeito entre essas mobilizações e o crescimento eleitoral do petista. Essa distinção preserva a precisão da análise: os números mostram a redução da vantagem; explicar as motivações dos eleitores exige investigação adicional.
Para Vieira, a combinação entre liderança de Flávio e avanço de Lula impede tratar a região como politicamente homogênea. “Isso impede uma leitura da Baixada como território eleitoral definitivamente identificado com apenas um campo político”, escreve.
A reflexão que o estudo deixa para as próximas disputas municipais é sobre a continuidade da participação política. Na avaliação do autor, organizações comunitárias, movimentos culturais, igrejas e lideranças locais seguem atuando depois da eleição. Compreender essas relações será necessário para entender como maiorias se mantêm, como novas forças se organizam e quais projetos conseguem estabelecer vínculos duradouros com a população da Baixada.
Pesquisa e análise original: Rômulo Vieira. Texto jornalístico elaborado a partir do estudo “Análise dos resultados da eleição 2026 para Presidente — Baixada Fluminense, RJ”.


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