Rebeca Andrade voa para a glória e é tricampeã mundial no salto
Atualizado: 26 de out.
Ginasta brasileira conquista o ouro no Mundial de Roterdã, alcança dez medalhas em campeonatos mundiais e consolida um retorno marcado por planejamento, superação e excelência técnica.
Rebeca Andrade voltou ao lugar mais alto do pódio mundial. Neste sábado, 24 de outubro, a brasileira de 27 anos conquistou a medalha de ouro no salto sobre a mesa no Campeonato Mundial de Ginástica Artística, disputado em Roterdã, na Holanda. Com a vitória, tornou-se tricampeã mundial do aparelho, repetindo os títulos conquistados em 2021 e 2023.
A brasileira chegou à decisão após liderar a fase classificatória e confirmou o favoritismo diante das principais adversárias. Na final, recebeu 14,400 pontos no primeiro salto e 14,133 no segundo. Com a bonificação regulamentar de 0,20 ponto pela combinação dos saltos, alcançou a nota final de 14,466. As norte-americanas Claire Pease, com 14,233, e Skye Blakely, com 14,166, completaram o pódio.
A conquista representa a décima medalha de Rebeca em Campeonatos Mundiais: quatro ouros, quatro pratas e dois bronzes. Maior medalhista olímpica da história do Brasil, com seis pódios nos Jogos, a ginasta amplia uma trajetória que já transformou a presença brasileira na elite internacional da modalidade.
O resultado ganha ainda mais significado pelo momento de sua carreira. Após os Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, Rebeca reduziu o ritmo competitivo e dedicou 2025 à recuperação física e mental. Depois de enfrentar cinco cirurgias no joelho, decidiu deixar as apresentações de solo para preservar o corpo e prolongar sua trajetória esportiva. O retorno foi cuidadosamente planejado, com prioridade para os aparelhos de salto e trave.
Mas a história de Rebeca também começa muito antes das medalhas. Nascida em Guarulhos, na Grande São Paulo, ela iniciou a ginástica aos quatro anos em um projeto social da prefeitura. Foi naquele espaço público que encontrou a oportunidade de desenvolver o talento que hoje a coloca entre os grandes nomes da história do esporte brasileiro.
Seu tricampeonato é uma conquista individual extraordinária, mas também evidencia a importância do acesso ao esporte, da formação de base e da existência de profissionais e estruturas capazes de transformar potencial em oportunidade.
No Mundial de Roterdã, o Brasil terminou em quinto lugar na competição feminina por equipes e ainda busca a classificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. Neste domingo, 25 de outubro, Flávia Saraiva representa o país na final da trave.
Rebeca, por sua vez, encerra sua participação individual no Mundial com mais um ouro e a confirmação de que seu retorno às competições foi construído com a mesma precisão que marca seus saltos. E sua trajetória segue mostrando que o talento precisa encontrar oportunidades para alcançar o mundo.


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