“Não espere o telefone tocar”: Rio Market provoca artistas a criarem as próprias oportunidades
Esperar por um convite, um teste ou pela próxima grande oportunidade pode já não ser suficiente para quem deseja construir uma carreira no audiovisual. Essa foi uma das provocações que atravessaram o Rio Market 2026, na tarde deste sábado, durante o painel “Atores e Atrizes Realizadores”.
“Não espere o telefone tocar.” A frase do ator Marcelo Serrado resumiu o debate diante de uma sala lotada por profissionais da indústria audiovisual.
Mediada por Vanessa Giácomo, atriz, produtora e embaixadora do Rio Market, a conversa reuniu ainda Isabelle Nassar, atriz, dramaturga, produtora e pesquisadora, e Maria Gal, atriz e CEO da Move Maria.
Maria Gal contou como os muitos “nãos” recebidos ao longo da carreira ajudaram a transformar sua relação com o mercado. Mulher negra, baiana e vivendo no Rio de Janeiro há mais de uma década, ela decidiu não depender apenas das oportunidades oferecidas por terceiros.

Hoje, comanda sua própria produtora e finaliza “Quarto de Despejo”, filme baseado na obra de Carolina Maria de Jesus. O projeto atravessou 11 anos de desenvolvimento e tem lançamento previsto para 2027.
“É uma excelente estratégia você se autoproduzir. Não é fácil, é muita burocracia, mas para mim funciona”, afirmou.
Marcelo Serrado também defendeu que artistas coloquem seus próprios projetos em movimento. Atualmente, o ator participa de iniciativas que vão de cinema e séries a teatro, literatura, palestras e coproduções.
Vanessa Giácomo e Isabelle Nassar compartilharam experiência semelhante com a Paralaxe, produtora criada pelas duas. Entre os caminhos percorridos estão aquisição de direitos de obras, desenvolvimento de projetos, inscrições em mecanismos de incentivo e estudo constante sobre produção audiovisual.
O debate também passou pelas mudanças provocadas pelos streamings e pelas novelas verticais, apontadas como novas janelas para produções independentes.
A conclusão foi direta: o artista contemporâneo não precisa ocupar apenas o lugar de quem espera ser escolhido.
Pode escrever, produzir, buscar financiamento, estabelecer parcerias e criar os próprios personagens.
Em um mercado historicamente concentrado nas mãos de poucos grupos, empreender também pode significar conquistar autonomia para decidir quais histórias serão contadas, quem terá espaço para contá-las e quem aparecerá diante das câmeras.


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