33 anos do CDHNI: uma história que nasceu sob perseguição e transformou resistência em proteção
Criado em 6 de outubro de 1993, Centro dos Direitos Humanos de Nova Iguaçu preserva uma trajetória que atravessa a ditadura, a proteção de pessoas ameaçadas e a garantia cotidiana de direitos na Baixada Fluminense.
Antes mesmo de existir oficialmente, a história que daria origem ao Centro dos Direitos Humanos de Nova Iguaçu (CDHNI) já incomodava quem tentava silenciar a organização popular na Baixada Fluminense. Nesta terça-feira, 6 de outubro, a instituição completa 33 anos, carregando uma memória construída entre perseguição política, defesa da democracia e proteção à vida.
Durante a ditadura militar, Dom Adriano Hypólito, então bispo de Nova Iguaçu e uma das principais referências dessa trajetória, tornou-se alvo da repressão por denunciar injustiças e apoiar trabalhadores e movimentos populares. Em 22 de setembro de 1976, foi sequestrado, espancado, despido e abandonado em Jacarepaguá, com o corpo pintado de vermelho. Seu carro foi levado até as proximidades da sede da CNBB, na Glória, e destruído por uma explosão.
A violência não terminou ali. Em 1977, uma atividade sobre direitos humanos foi impedida por homens armados. Em 1979, igrejas da Diocese foram pichadas com acusações contra Dom Adriano e, em 20 de dezembro, uma bomba explodiu sob o altar da Catedral de Santo Antônio de Jacutinga, em Nova Iguaçu.
Foi nesse ambiente que nasceu, em 1978, a Comissão Justiça e Paz. Quinze anos depois, em 6 de outubro de 1993, Dom Adriano inaugurou o CDHNI, que absorveu e ampliou aquela atuação histórica.
Desde então, a instituição transformou resistência em ação concreta. O CDHNI já foi responsável pela execução do PROVITA/RJ, voltado à proteção de vítimas e testemunhas ameaçadas, e pela gestão do PEPDDH/RJ, destinado à proteção de defensores de direitos humanos, comunicadores e ambientalistas em situação de risco. Registros oficiais confirmam a atuação da entidade nos dois programas.
Hoje, essa história continua no atendimento jurídico gratuito, nas ações comunitárias e no trabalho socioassistencial com crianças, adolescentes e famílias, incluindo o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, além de atividades educativas, culturais e de fortalecimento comunitário. O atendimento jurídico também alcança comunidades por meio de ações itinerantes.
Aos 33 anos, o CDHNI não celebra apenas tempo de existência. Celebra a permanência de uma ideia: direitos humanos não são uma abstração. Na Baixada, muitas vezes significaram enfrentar perseguição, proteger pessoas ameaçadas e impedir que o medo tivesse a última palavra.


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