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Brasil não decidiu: Flávio lidera o 1º turno, Lula avança e eleição será definida em outubro

5 de out.
3 min de leitura

Com quase 100% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro terminou a primeira votação com 47,04% dos votos válidos, contra 45,15% de Lula. A diferença apertada leva o país a um segundo turno em 25 de outubro e abre uma nova disputa pelo eleitorado que não escolheu nenhum dos dois.


O Brasil acorda nesta segunda-feira, 5 de outubro, sabendo quem são os dois candidatos que continuam na disputa pela Presidência, mas ainda sem saber quem governará o país a partir de 2027.



O primeiro turno terminou com Flávio Bolsonaro (PL) na liderança, com 47,04% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 45,15%. Com 99,97% das urnas contabilizadas no fim da noite de domingo, a distância entre os dois era de aproximadamente 2,25 milhões de votos. Como nenhum candidato ultrapassou a metade dos votos válidos, os brasileiros voltarão às urnas em 25 de outubro.


É um resultado que permite muitas leituras, mas uma delas parece incontornável: o primeiro turno terminou, mas a eleição está longe de estar resolvida.


A diferença entre os dois primeiros colocados ficou abaixo de dois pontos percentuais. Ao mesmo tempo, quase 8% dos votos válidos foram destinados aos demais candidatos. São milhões de brasileiros que, daqui para frente, passam a ocupar o centro da disputa política. Somam-se a eles os eleitores que não foram votar. A abstenção ficou em torno de 21% do eleitorado.


As urnas também contrariaram expectativas



A reta final da campanha mostrava uma eleição apertada, mas diferentes pesquisas ainda apontavam Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. O resultado das urnas inverteu essa ordem: Flávio terminou na liderança e apresentou desempenho superior ao indicado em boa parte dos levantamentos divulgados antes da votação.


Isso não significa que as pesquisas simplesmente tenham “errado”. Pesquisa eleitoral é uma fotografia realizada em determinado período, com amostra e margem de erro próprias. Eleição, por outro lado, registra efetivamente os votos depositados naquele domingo. Mudanças de última hora, comparecimento desigual de grupos do eleitorado e decisões tomadas nos dias finais também podem alterar o resultado observado nas urnas.


Mas a diferença entre expectativa e resultado deverá alimentar um debate importante nas próximas semanas, inclusive sobre como o comportamento eleitoral brasileiro está mudando.


Agora começa outra eleição



O segundo turno não é simplesmente a continuação matemática do primeiro.


A partir de agora, Lula e Flávio Bolsonaro precisarão falar também com quem não votou neles. Os programas eleitorais ganham outro peso, alianças serão redesenhadas e temas como economia, emprego, segurança pública, políticas sociais, democracia e custo de vida deverão ocupar ainda mais espaço na campanha.


A legislação brasileira exige maioria absoluta dos votos válidos para a eleição presidencial. Quando ninguém alcança esse patamar no primeiro turno, os dois candidatos mais votados disputam uma nova votação.


E talvez esteja justamente aí a mensagem mais importante deste domingo.



Mais de 119 milhões de votos válidos foram depositados nas urnas, mas nenhuma candidatura recebeu autorização suficiente para encerrar a disputa. O país que saiu das urnas em 4 de outubro continua profundamente competitivo politicamente e entregou aos dois finalistas uma tarefa que parece simples no papel, mas é enorme na prática: convencer parte do Brasil que escolheu outro caminho, não escolheu ninguém ou sequer compareceu para escolher.


No dia 25 de outubro, a contagem recomeça do zero.

E, desta vez, não haverá terceiro turno.

 
 
 

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