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Em Belford Roxo e Magé, todas as vítimas de mortes provocadas por agentes do Estado em 2025 eram negras

29 de set.
2 min de leitura


Levantamento do Mapa da Desigualdade 2026 revela forte disparidade racial na letalidade policial da Região Metropolitana do Rio; Maricá também registrou 100% de vítimas negras.


A cor da pele aparece de forma incontornável nos dados sobre a violência de Estado na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Em Belford Roxo e Magé, na Baixada Fluminense, e em Maricá, no Leste Metropolitano, todas as pessoas mortas por agentes do Estado em 2025 eram negras.



Os números fazem parte do Mapa da Desigualdade 2026, produzido pela Casa Fluminense, e foram divulgados neste domingo (28) em reportagem da Ponte Jornalismo. O levantamento analisa indicadores dos 22 municípios da Região Metropolitana e evidencia que a desigualdade racial não aparece apenas na renda ou nas condições de moradia, mas também na possibilidade de permanecer vivo.


Segundo os dados apresentados pela Ponte, 800 pessoas negras foram mortas por agentes do Estado e 741 dessas mortes ocorreram na Região Metropolitana. Nesse território, pessoas negras correspondem a cerca de 65% da população, mas representam mais de 70% das vítimas desse tipo de ocorrência.



Na Baixada Fluminense, o cenário ganha peso particular. Outro levantamento divulgado em julho pela Agência Pública, a partir de estudo da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial, apontou que a região registrou 655 operações policiais em 2025 e 46 mortes, mesmo com redução no número de operações em comparação com anos anteriores.


Desigualdade vai além da segurança pública


O Mapa da Desigualdade mostra que a questão racial atravessa diferentes dimensões da vida metropolitana. Das 116,8 mil pessoas que vivem em domicílios improvisados na região, aproximadamente 70% são negras. Entre as cerca de 31 mil pessoas em situação de rua registradas no CadÚnico, 23 mil, ou 74%, são negras.


Há ainda um contraste entre essa realidade e o planejamento das próprias cidades: somente cinco dos 22 municípios analisados possuem Planos Diretores que citam ou estabelecem diretrizes voltadas à população negra, segundo o levantamento.



Os dados de 2025 não aparecem isoladamente. Na edição de 2023 do Mapa da Desigualdade, baseada em informações de 2022, a Casa Fluminense já identificava uma concentração racial nas mortes decorrentes de intervenção de agentes do Estado. Naquele levantamento, 79% das vítimas na Região Metropolitana eram negras.


O novo retrato coloca uma pergunta pública no centro do debate sobre segurança: quando determinados territórios concentram população negra e as mortes provocadas pelo Estado atingem esse grupo de forma tão desproporcional, discutir segurança pública também exige discutir raça, território e o modo como as políticas chegam às periferias metropolitanas.



Para cidades da Baixada como Belford Roxo e Magé, o dado é especialmente contundente: em 2025, quando uma intervenção estatal terminou em morte, não houve uma única vítima branca registrada nesses municípios.

 
 
 

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