Estudo aponta que 36% dos candidatos que se declaram pretos ou pardos foram classificados como brancos

Levantamento ligado à UERJ analisou mais de 7,6 mil candidaturas à Câmara e reacende debate sobre raça, representação política e financiamento eleitoral.
Às vésperas das eleições de 2026, um levantamento do DARA, núcleo de pesquisa ligado ao IESP-UERJ, colocou no centro do debate a relação entre autodeclaração racial, representação política e uso de dinheiro público nas campanhas.
O estudo analisou 7.610 candidaturas à Câmara dos Deputados e identificou 1.331 casos em que pessoas registradas como pretas ou pardas foram classificadas como brancas ou amarelas por pelo menos quatro dos cinco pesquisadores responsáveis pela análise das fotos de urna. O número corresponde a 36% das candidaturas autodeclaradas pretas ou pardas e a 17% do total analisado.
A discussão ganha ainda mais importância porque as regras eleitorais determinam que pelo menos 30% dos recursos do Fundo Eleitoral destinados pelos partidos sejam aplicados em candidaturas de pessoas negras. A regulamentação também estabelece que os recursos reservados para essa finalidade não podem ser utilizados irregularmente para financiar campanhas que não estejam contempladas pela política racial.
Os pesquisadores ressaltam que o levantamento não comprova que todos os casos sejam fraude. Erros de preenchimento e outras circunstâncias também podem explicar parte das diferenças encontradas. A pesquisa, porém, foi desenvolvida justamente para identificar situações que mereçam atenção em relação às regras de financiamento eleitoral.

Em um país marcado pela desigualdade racial e pela disputa por representação nos espaços de poder, o estudo deixa uma pergunta relevante às vésperas do voto: quem está, de fato, acessando os recursos públicos criados para ampliar a participação negra na política?


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