Presos rendem policial, escapam de Bangu 8 com corda de lençóis e são recapturados
Holandês que já integrou a lista de procurados da Interpol e colombiano conseguiram ultrapassar o muro da penitenciária. Dupla foi localizada ainda dentro da área do Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio.
Uma fuga com características incomuns mobilizou a segurança do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, neste sábado (26). Dois presos estrangeiros renderam um policial penal e conseguiram ultrapassar o muro de Bangu 8 utilizando uma corda improvisada com lençóis.
Os envolvidos foram identificados como Gerel Lusiano Palm, holandês, e Juan Estebán Avendaño Perez, colombiano. Os dois estavam custodiados no Presídio Joaquim Ferreira de Souza, unidade conhecida como Bangu 8.
Apesar de terem conseguido deixar a área interna da penitenciária, a fuga durou pouco. Os dois homens foram localizados e recapturados ainda dentro dos limites do próprio Complexo de Gericinó.
Segundo a Secretaria de Estado de Polícia Penal do Rio de Janeiro (Seppen), o agente rendido durante a ação não ficou ferido.
Corda feita com lençóis foi usada para ultrapassar o muro

Para superar o muro da unidade, os presos utilizaram uma estrutura improvisada conhecida no sistema penitenciário como “teresa”, uma espécie de corda produzida a partir de tecidos ou lençóis amarrados.
Imagens divulgadas após o episódio mostram a estrutura utilizada na tentativa de fuga e também o momento em que os presos foram recapturados.
O caso chama atenção não apenas pela forma utilizada para deixar a unidade, mas porque os dois homens possuem históricos relacionados a crimes graves e investigações internacionais.
Após a recaptura, ambos foram encaminhados para a 34ª DP, em Bangu, onde foram adotadas as medidas relacionadas ao episódio.
Holandês já esteve na Difusão Vermelha da Interpol

Gerel Lusiano Palm já foi considerado um dos criminosos mais procurados da Holanda e chegou a integrar a Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar pessoas procuradas internacionalmente.
Ele foi preso no Rio de Janeiro pela Polícia Federal em julho de 2021, na Barra da Tijuca. Segundo informações divulgadas à época, Palm havia sido condenado pela Justiça holandesa a 20 anos de prisão por tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de fogo. Também respondia a outro processo por homicídio.
Antes de sua prisão no Brasil, Palm já havia fugido de uma unidade prisional no Suriname. Segundo O Dia, naquela ocasião ele teria desarmado um agente penitenciário e o obrigado a colaborar com a fuga.
O nome do holandês também apareceu em uma investigação da Polícia Federal relacionada a uma suposta rede de corrupção envolvendo agentes públicos e integrantes do crime organizado no Rio. A investigação apurava possíveis articulações destinadas a impedir sua entrega às autoridades holandesas.
Colombiano foi preso no Rio em 2022
Juan Estebán Avendaño Perez, por sua vez, foi preso em dezembro de 2022 durante uma operação conjunta das polícias Civil e Federal, na Muzema, Zona Oeste do Rio.
À época, ele era procurado por envolvimento na morte de um integrante da Polícia Nacional da Colômbia e era apontado em investigações relacionadas ao tráfico internacional de drogas.
Os históricos dos dois presos ampliam a atenção sobre as circunstâncias que permitiram que ambos rendessem um policial penal e chegassem a ultrapassar o muro de uma unidade do sistema penitenciário.
Corregedoria vai investigar a fuga
A Corregedoria da Secretaria de Estado de Polícia Penal informou que vai instaurar um procedimento para apurar o episódio.
A investigação deverá esclarecer de que maneira os presos tiveram acesso aos materiais utilizados na fuga, como conseguiram render o servidor e quais circunstâncias permitiram que ultrapassassem a área de segurança da penitenciária.
Até o momento, a Seppen confirmou que os dois foram recapturados e que o policial penal envolvido na ocorrência não sofreu ferimentos.
Embora a tentativa tenha terminado rapidamente, o episódio coloca novamente sob atenção os protocolos de segurança dentro das unidades de Gericinó. Agora, caberá à investigação interna reconstruir cada etapa da fuga e identificar eventuais falhas que tenham permitido que dois presos com histórico criminal internacional chegassem ao outro lado do muro.


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