Veronica Costa, a “Mãe Loira do Funk”, é presa após condenação por tortura
Ex-vereadora do Rio foi localizada em Petrópolis e deverá cumprir pena de 10 anos e 8 meses em regime fechado por crime cometido contra o ex-marido em 2011

Um nome que atravessou os bailes funk, a televisão e a política carioca agora passa a ocupar outro capítulo das páginas policiais. A ex-vereadora Veronica Costa, conhecida nacionalmente como a “Mãe Loira do Funk”, foi presa na noite de quinta-feira, 24 de setembro, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro.
A prisão ocorre após o trânsito em julgado do processo em que Veronica foi condenada pelo crime de tortura contra o ex-marido, Márcio Costa. Com o encerramento das possibilidades de recurso capazes de impedir o início da execução da pena, a Justiça determinou que ela cumpra 10 anos e 8 meses de prisão, inicialmente em regime fechado.

O caso remonta a fevereiro de 2011. De acordo com a denúncia do Ministério Público e com o que foi reconhecido pela Justiça, Márcio foi mantido amarrado, agredido e submetido a ameaças. Em depoimento, ele relatou ter permanecido amarrado e amordaçado por várias horas. Também afirmou que inseticida foi borrifado em seu rosto e que combustível foi colocado sobre seu corpo durante as agressões.

A primeira condenação veio em 2019, quando a pena foi fixada em cinco anos e dez meses. Em 2023, após recurso do Ministério Público do Rio, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça aumentou a punição para 10 anos e 8 meses e estabeleceu o regime inicialmente fechado.
Antes da prisão, policiais chegaram a procurar Veronica em um endereço ligado a ela no Rio, mas não a localizaram. Na noite seguinte, agentes da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual, a Polinter, encontraram a ex-parlamentar em Petrópolis. Outras pessoas condenadas no mesmo processo também foram presas.
Do funk à Câmara do Rio
A história pública de Veronica Costa é anterior à política institucional. Ela ganhou projeção ligada à Furacão 2000, uma das equipes mais importantes na popularização do funk carioca, e construiu a imagem que lhe rendeu o apelido de “Mãe Loira do Funk”.

Em 2001, iniciou uma trajetória política que resultaria em seis mandatos como vereadora da cidade do Rio de Janeiro. Durante sua passagem pela Câmara Municipal, esteve ligada a diferentes partidos e teve entre suas áreas de atuação temas relacionados ao funk, juventude e políticas para mulheres.
Essa trajetória pública torna o caso especialmente emblemático: uma figura que por décadas transitou entre entretenimento, cultura popular e poder institucional passa agora a cumprir uma condenação criminal definitiva.
Defesa contestou a condenação
Veronica negou as agressões desde o início das investigações. Em manifestação divulgada durante o andamento do processo, sua defesa contestou a versão apresentada pela acusação e afirmou que a condenação não encontrava, em sua avaliação, sustentação adequada nas provas. A Justiça, entretanto, manteve a responsabilização, e o processo chegou ao trânsito em julgado.

A prisão encerra uma disputa judicial iniciada há mais de uma década, mas não apaga a dimensão pública do caso. Entre a denúncia feita em 2011 e o cumprimento da pena em 2026, passaram-se cerca de 15 anos.
Agora, longe dos palcos, dos bailes e das cadeiras da Câmara Municipal, Veronica Costa começa a cumprir a pena determinada definitivamente pela Justiça.


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